Como Parar de Procrastinar Mesmo Quando Você Está Sem Vontade de Fazer Nada
Como Parar de Procrastinar Mesmo Quando Você Está Sem Vontade de Fazer Nada
Você sabe o que precisa fazer.
A tarefa está na sua frente. Você sabe que ela é importante, sabe que está ficando para depois e, mesmo assim, encontra alguma coisa para fazer antes dela.
Você pega o celular.
Olha uma mensagem.
Abre uma rede social.
Assiste a um vídeo.
Levanta para pegar alguma coisa.
Depois volta e pensa: “Daqui a pouco eu começo.”
Só que o “daqui a pouco” passa.
E quando você percebe, o dia está terminando e aquela tarefa continua exatamente no mesmo lugar.
Então vem a culpa.
Você começa a pensar que deveria ter mais disciplina, que está desperdiçando tempo ou que precisa aprender a ter mais força de vontade.
Mas existe uma pergunta mais útil:
E se o problema não estiver em terminar a tarefa, mas em conseguir começar?
Quando você sabe o que precisa fazer, mas não consegue começar
Procrastinação nem sempre acontece porque uma pessoa é preguiçosa.
Muitas vezes, uma tarefa é adiada porque ela parece cansativa, difícil, confusa, entediante ou grande demais.
Imagine que você precisa escrever um trabalho importante.
Pensar “preciso terminar o trabalho” pode fazer a tarefa parecer enorme.
Você não está olhando para uma ação.
Está olhando para tudo o que ainda precisa acontecer.
E quanto maior parece o esforço, maior pode ser a vontade de procurar alguma coisa mais fácil para fazer naquele momento.
É aí que o celular se torna tão atraente.
Uma tarefa importante exige esforço e concentração.
Uma rede social oferece estímulos imediatamente.
Seu cérebro naturalmente percebe uma diferença entre essas duas opções.
Por isso, simplesmente dizer “vou ter mais disciplina” nem sempre resolve.
Às vezes, você precisa diminuir a dificuldade do começo.
Não tente terminar. Tente começar.
Essa pode ser uma das mudanças mais importantes para quem procrastina.
Quando você olha para uma tarefa e pensa que precisa terminá-la, pode sentir uma pressão desnecessária.
Então faça uma mudança.
Não diga:
“Preciso terminar isso hoje.”
Diga:
“Vou trabalhar nisso durante os próximos dez minutos.”
Dez minutos parecem muito menores do que uma tarde inteira.
E existe uma diferença importante entre começar uma tarefa e terminar uma tarefa.
Você não precisa saber como vai se sentir daqui a uma hora.
Precisa apenas decidir o que fará nos próximos minutos.
Se estiver estudando, abra o material e leia algumas páginas.
Se estiver escrevendo, coloque algumas ideias no papel.
Se estiver organizando alguma coisa, comece por uma pequena parte.
Se estiver trabalhando em um projeto, faça a próxima etapa.
Depois dos dez minutos, você pode decidir se continuará.
O objetivo é quebrar a barreira inicial.
A regra dos primeiros cinco minutos
É nesse momento que você ainda está negociando consigo mesmo.
“Depois eu faço.”
“Hoje não estou com cabeça.”
“Vou descansar só um pouco.”
“Quando estiver mais motivado, começo.”
Em vez de discutir com esses pensamentos, experimente agir antes que a negociação aumente.
Escolha uma tarefa.
Coloque um cronômetro de cinco minutos.
Durante esses cinco minutos, faça somente o primeiro passo.
Não pense no resultado final.
Não tente fazer perfeitamente.
Não se preocupe com quanto ainda falta.
Apenas comece.
Quando o cronômetro terminar, você já terá feito algo que não existia cinco minutos antes: progresso.
E isso muda a relação com a tarefa.
Ela deixa de ser apenas algo que você precisa fazer e passa a ser algo que você já começou.
Faça a tarefa ficar específica
Existe outro detalhe que costuma passar despercebido.
Muitas vezes, não adiamos uma tarefa porque ela é difícil.
Adiamos porque não sabemos exatamente qual é a primeira ação.
“Preciso melhorar minha vida” não é uma tarefa.
“Preciso estudar” também é muito amplo.
“Preciso organizar meu projeto” pode esconder dezenas de ações diferentes.
Quando a tarefa é vaga, começar exige uma decisão.
E decisões também consomem energia.
Por isso, transforme pensamentos vagos em ações concretas.
Em vez de pensar:
“Preciso estudar.”
Pense:
“Vou abrir o capítulo três e estudar as primeiras cinco páginas.”
Em vez de:
“Preciso organizar meu computador.”
Pense:
“Vou organizar a pasta de documentos durante dez minutos.”
Em vez de:
“Preciso começar meu projeto.”
Pense:
“Vou escrever a primeira ideia do projeto em um documento.”
Agora existe um caminho.
Você não precisa descobrir tudo.
Só precisa saber qual é o próximo passo.
Quando você estiver sem vontade, faça menos
Esse ponto é importante.
Existem dias em que você simplesmente não estará disposto.
Você estará cansado.
Sua cabeça estará cheia.
Sua concentração estará baixa.
Nesses dias, tentar manter exatamente o mesmo ritmo de um dia excelente pode fazer você desistir completamente.
Em vez de abandonar a rotina, reduza o tamanho da tarefa.
Se normalmente estudaria uma hora, talvez consiga começar com quinze minutos.
Se escreveria um artigo inteiro, escreva apenas alguns parágrafos.
Se faria uma grande organização, organize somente uma pequena área.
Isso não significa transformar a falta de vontade em desculpa permanente.
Significa entender que consistência não exige que todos os dias sejam iguais.
Em alguns dias, seu objetivo será avançar muito.
Em outros, será simplesmente não parar completamente.
Tire a decisão das mãos da distração
Imagine que você precisa trabalhar durante uma hora, mas o celular está ao lado do computador.
A cada notificação, existe uma oportunidade de interromper o que está fazendo.
Você pode tentar ignorar.
Mas existe uma solução mais simples:
coloque o celular longe antes de começar.
Não espere a distração aparecer para decidir o que fazer.
Prepare o ambiente antes.
Se precisa estudar, deixe somente o material necessário à sua frente.
Se precisa escrever, abra o documento antes.
Se precisa trabalhar, feche as páginas que não fazem parte da tarefa.
Quanto menos obstáculos existirem entre você e o primeiro passo, mais fácil será começar.
Isso não significa eliminar toda distração da sua vida.
Significa criar momentos em que a sua atenção tenha um destino definido.
Não transforme um atraso em desistência
Talvez uma das maiores armadilhas da procrastinação seja esta:
Você adia uma tarefa pela manhã.
Depois pensa que perdeu o dia.
Então continua adiando.
Esse pensamento transforma alguns minutos de atraso em um dia inteiro perdido.
Mas o relógio não funciona assim.
Se você perdeu a manhã, ainda existe a tarde.
Se perdeu a tarde, ainda existe a noite.
E se hoje realmente não deu certo, amanhã existe uma nova oportunidade.
Você não precisa esperar um novo mês, uma segunda-feira ou o início de um novo ano.
O próximo momento disponível já pode ser um recomeço.
O que fazer quando a tarefa é importante, mas desagradável?
Algumas tarefas não vão ficar interessantes só porque você organizou melhor seu tempo.
Existem coisas que simplesmente precisam ser feitas.
Talvez seja estudar um assunto difícil.
Resolver uma pendência.
Organizar documentos.
Fazer uma atividade repetitiva.
Começar algo que pode dar errado.
Nesses casos, tentar encontrar motivação pode ser uma estratégia ruim.
Você pode simplesmente aceitar:
“Eu não estou com vontade, mas posso fazer uma pequena parte mesmo assim.”
Disciplina não significa gostar de tudo o que você precisa fazer.
Significa conseguir agir mesmo quando a vontade não apareceu.
Mas isso não precisa ser uma batalha enorme.
Você pode começar pequeno.
Cinco minutos.
Uma página.
Um parágrafo.
Uma ligação.
Uma pequena decisão.
Às vezes, a ação vem antes da vontade.
Um exercício para fazer agora
Se existe alguma coisa que você está adiando neste momento, pare de pensar nela como um projeto inteiro.
Pegue um papel ou abra uma nota e escreva:
O que estou adiando?
Depois pergunte:
Qual é a menor ação que posso realizar agora?
Não escolha a ação que resolveria tudo.
Escolha a ação que consegue iniciar.
Depois coloque um cronômetro de dez minutos.
Durante esse período, não tente ser perfeito.
Não tente terminar.
Não pense no que fará depois.
Faça apenas aquilo que decidiu fazer.
Quando os dez minutos terminarem, olhe para o que aconteceu.
Talvez você tenha vontade de continuar.
Talvez não.
Nos dois casos, alguma coisa importante já aconteceu:
você deixou de estar parado.
Ideias que Transformam
Você não precisa esperar pela motivação perfeita para começar.
Escolha uma tarefa.
Diminua o primeiro passo.
Afaste uma distração.
Dedique apenas dez minutos.
Depois decida o próximo passo.
Começar pequeno ainda é começar.
E muitas vezes, o que parecia impossível quando estava apenas na sua cabeça fica muito mais simples depois que você começa a agir.
A diferença entre descansar e fugir
Também precisamos falar sobre uma coisa importante.
Nem todo momento em que você não quer fazer alguma coisa significa procrastinação.
Às vezes, você realmente precisa descansar.
O problema aparece quando você utiliza o descanso para fugir repetidamente de tudo aquilo que considera difícil.
Você diz que vai descansar por alguns minutos.
Pega o celular.
Passa de um vídeo para outro.
Depois verifica uma rede social.
Quando percebe, muito tempo passou e a tarefa continua esperando.
O descanso deveria ajudar você a recuperar energia.
A fuga apenas adia o desconforto.
Por isso, antes de pegar o celular quando estiver evitando uma tarefa, faça uma pergunta:
“Eu realmente preciso descansar ou estou tentando escapar do que preciso fazer?”
A resposta pode ser desconfortável.
Mas também pode ser exatamente o que você precisava perceber.
Você não precisa vencer a procrastinação de uma vez
Talvez você tenha passado muito tempo adiando coisas.
Talvez existam tarefas que estão esperando há semanas.
Não tente resolver todo esse histórico em um único dia.
Escolha uma.
Comece por ela.
Depois escolha a próxima.
O objetivo não é se transformar em uma pessoa que nunca procrastina.
O objetivo é perceber mais rapidamente quando está entrando nesse ciclo e saber como voltar para a ação.
Quanto mais você pratica esse retorno, mais familiar ele se torna.
Você começa a reconhecer o momento em que está procurando uma distração.
E, em vez de passar horas adiando, pode escolher fazer apenas os próximos cinco ou dez minutos.
Isso já é uma mudança.
Conclusão
Procrastinação pode fazer você acreditar que precisa de mais motivação, mais tempo ou mais disciplina.
Mas muitas vezes o que falta é algo mais simples:
um começo pequeno o suficiente para ser realizado.
Você não precisa terminar tudo agora.
Não precisa sentir vontade.
Não precisa fazer perfeitamente.
Precisa apenas descobrir qual é a próxima ação e começar.
Feche aquilo que está distraindo você.
Escolha uma tarefa.
Faça os primeiros cinco minutos.
Depois continue se puder.
E se hoje não for um dia perfeito, tudo bem.
Amanhã você poderá começar novamente.
Porque produtividade não é nunca parar.
É aprender a voltar para o caminho quando você percebe que parou.
E talvez a mudança que você está esperando não comece quando finalmente sentir vontade de agir.
Talvez ela comece justamente agora, enquanto você ainda está sem vontade.
Dê o primeiro passo.